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Atenção: todos os textos deste blog são de autoria de Cintia Amorim, estando devidamente registrados. É proibida a reprodução para fins comerciais sem a autorização escrita da autora. As violações serão tratadas por vias judiciais.

PIMPOLHO, O MENINO CÃO – historia infantil com moral

PIMPOLHO, O MENINO CÃO – historia infantil com moral

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Pimpolho era um menino magro, bonito e inteligente.Vivia nas ruas. Não tinha casa, pai, mãe, tios ou irmãos. Possuía apenas um sonho: um dia ter uma família.

Embora dormisse nas ruas, Pimpolho era um garoto honesto e esperto. Sobrevivia como podia. Lavava carros, engraxava sapatos, vendia balas no sinal do trânsito, prestava favores a alguns comerciantes.

– Olá senhor Pedro, vai uma graxa hoje?

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– Hoje não, Pimpolho, hoje não.

Ninguém sabia a origem do nome de Pimpolho. Alguém colocou o apelido no garoto e ficou. Aliás, ninguém sabia nada a respeito dele, apenas que vivia sozinho.

Às vezes, Pimpolho sentava-se no meio-fio e ficava observando o movimento. Gostava de olhar as crianças que iam à uma escola próxima. Desciam dos carros, beijavam seus pais, corriam em direção à entrada do colégio. Todo dia era festa. As crianças reencontravam seus amigos, cumprimentavam os professores.

– Ah, como eu gostaria de ter tido a sorte deles. Como eu gostaria de ter pai e mãe, ter amigos, poder estudar! – suspirava o menino.

Certa noite apareceu um estranho mendigo na rua em que Pimpolho morava. Era um homem muito feio, o rosto cheio de cicatrizes. Carregava uma enorme sacola. Pimpolho sentiu medo. O estranho aproximou-se e se deitou sobre o papelão que o menino usava como cama. Pimpolho foi reclamar com o grandalhão:

– Ei, você não pode dormir aí. Esta é a minha cama – disse.

O mendigo respondeu:

– Não enche a paciência menino. Eu vou me deitar aqui. Quero ver você me tirar.

– Mas isso é injusto, eu durmo aí todas as noites – retrucou Pimpolho.

– A vida é injusta, garoto. Porque você acha que dorme nesse papelão imundo? Pura injustiça! Tem um monte criança ingrata e mal-criada dormindo em cama cheirosa nesse exato momento!

Pimpolho não podia brigar com aquele homem. Certamente perderia. Resolveu sentar-se em um canto. Ajuntou alguns jornais velhos, deitou-se.

Foi quando o mendigo o chamou:

– Ei garoto, qual é o seu nome?

– Pimpolho.

– Mas que ridículo! Quem foi que colocou esse nome em você?

– Não sei, não faço idEia. Só sei que me chamam assim.

– Você não tem família, ou é desses garotos fujões?

– Não, eu não tenho família.

– Hum! E não tem vontade de ter uma?

– É claro que tenho. É meu maior sonho, mas ninguém me enxerga! – reclamou.

– É porque você não é um cachorrinho. – respondeu o mendigo.

– Um cachorrinho? Não entendi.

– Isso mesmo garoto, se você fosse um cachorro bonitinho, todo mundo o notaria. As crianças ficariam com vontade de fazer-lhe carinho. Logo, logo alguém o levaria para casa.

Pimpolho riu do comentário:

– É, talvez seja verdade. Aqui na rua sempre aparece madames passeando com seus cães. Até parecem gente. Andam de fitinhas, gravatas, perfume e sapatinho.

– Isso mesmo garoto, é o que digo. Se você fosse um cachorro de raça, arranjaria uma família e se daria muito bem.

– Pode até ser. Mas, infelizmente, eu nasci gente! – riu Pimpolho.

Os dois conversaram por um bom tempo. Pimpolho já não sentia medo do grandalhão.  Dormiram. De manhã, bem cedinho, Pimpolho sentiu uma mão a sacudi-lo.

– Acorda garoto, acorda – Era o mendigo.

Pimpolho olhou-o assustado. O grandalhão prosseguiu:

– Eu vou embora, não consigo ficar parado. Mas vou lhe dar um presente. É um segredo, você não pode contar para ninguém!

Pimpolho prestava atenção ao homem, que prosseguiu:

– Vou lhe dar esta pele mágica. É a pele de um poodle. Eu a ganhei de um mágico. Esta pele de cachorro tem um mistério. Se você a vestir, vai ficar parecendo um cão. Um cão lindo. Aí, é só ficar na porta do colégio. Logo, logo uma família o adota.

Pimpolho aceitou o presente. Ficou observando aquele mendigo andar e sumir pela esquina. Olhou a pele mágica. Será que funcionava mesmo?

 

UM BELO CACHORRINHO

– Que gracinha, vem cá totó. Pimpolho ouviu uma menina chamar.

– Olha mãe, veja que poodle bacana! Parece que está perdido.  Um garoto aproximou-se.

Pimpolho ficou assustado. Não se lembrava de muita coisa. Só de que resolvera experimentar a pele que o mendigo havia lhe dado.

“Meu Deus, será que virei cachorro?” Pensou. Saiu correndo. Foi olhar-se na vidraça da padaria. Levou um baita susto pois, só via um lindo poodle na sua frente. Um poodle preto, de pelos bem tratados, de olhos vivos e inteligentes. Um cachorro diferente.

“Meu Pai, eu virei mesmo um cachorro!” Pimpolho tentou gritar, mas só saiu um latido. O garoto aproximou-se novamente.

– Calma, cachorrinho, não precisa ficar assustado. Eu não vou fazer-lhe mal.

Pimpolho observou aquele garoto aproximando-se. Parecia querer pegá-lo. Fugiu apavorado. Atravessou a rua. Parou do outro lado. O menino ainda o chamava.

Até que a mãe o repreendeu:

– Pedro Alfredo, pare de seguir esse cachorro. Você está atrasado. A professora está esperando.

– Ah, mãe, deixa eu pegar esse poodle! Parece que está perdido.

– Não, não e não. Nada de ficar levando cachorros para casa!

– Mas mãe, veja só, ele é lindo. Coitado, deve estar perdido, sem cama nem comida. Sem ninguém que lhe faça um carinho. Ah! Deixe-me pegar o cachorrinho.

A mãe de Pedro Alfredo admirou Pimpolho. Realmente era um cachorro muito bonito, e tinha algo especial, um olhar vivo e inteligente. Mulher e cão se entreolharam, cada qual do seu lado da rua. Dona Rosa então respondeu:

– Está bem Pedro Alfredo, se esse cachorro estiver na rua amanhã, nós o levaremos para casa. Mas não vamos levá-lo hoje, pode ser que esteja perdido. Seus donos devem estar procurando.

Pedro Alfredo conformou-se. Despediu-se do animal.

– Até amanhã.

O garoto correu para a entrada da escola. Deu mais uma olhada para trás. Uma professora o recebeu com carinho. Ele então se virou e entrou.

Pimpolho ficou admirando o garoto sumir pelo portão do colégio.  E só depois que a mãe dele entrou no carro e partiu é que se sentiu seguro. Foi novamente para a vidraça da padaria. Olhou-se bem. Era um cachorro lindo.

Um misto de medo e alegria invadiu seu coração. Sentia-se estranho na pele de um animal. Mas lembrava-se das palavras do mendigo. Talvez fosse mesmo a única maneira de ter uma família.

Pimpolho criou coragem. Jogou as incertezas fora. Aproveitou o momento e foi conhecer o mundo sob a óptica canina. Seria bom ser cachorro? Foi experimentar. Urinou no primeiro poste que viu! Correu atrás de alguns carros. Perseguiu um gato. Mordeu a canela de um guarda que sempre o tratava com grosseria.

O menino-cão estava se divertindo à beça. Até que ser cachorro não era tão ruim assim! O maior problema era que não conseguia conversar direito. Toda vez que abria a boca saía um latido.

Tentou cumprimentar o comerciante que sempre lhe dava um pouco de comida:

– Au!

Tentou cumprimentar seu Moreira, o jornaleiro:

– Au, au!

Desistiu de cumprimentar os conhecidos.

Perambulou pela rua até anoitecer. Quando estava escuro, voltou para seu papelão. Deitou-se. Estava novamente só. Sentiu falta de carinho.

“Amanhã eu procuro uma família”. Pensou. E dormiu um sono leve.

JÁ É MANHÃ

Não deu outra, assim que o sol raiou Pimpolho estava na porta do colégio. Aguardava a oportunidade de ser adotado por uma família. O menino-cão estava feliz, finalmente realizaria seu sonho.

Pouco tempo depois Pedro Alfredo desceu do carro. Despediu-se de sua mãe. Assim que viu Pimpolho, sentadinho no passeio, correu e deu-lhe um abraço.

– Eu sabia que você estaria me esperando. Eu sabia que seria meu! – disse alegremente o garoto.

Pedro Alfredo conversou com as professoras. Pediu que deixassem ele guardar o poodle dentro do colégio, para ele não fugir novamente. Elas disseram que sim.          Prontamente Pedro Alfredo arrumou uma corda. Prendeu Pimpolho. O menino-cão estranhou a sensação. Nunca tinha sido amarrado pelo pescoço. Tentou se livrar.

– Calma, cachorrinho, calma. Não vou apertar. É só para você não fugir – disse Pedro Alfredo afagando o poodle.

Pimpolho sentiu-se incomodado, mas não reclamou mais. De qualquer jeito teria de se acostumar àquilo.

“Essa deve ser a parte ruim de ser cachorro”, pensou.

Ao final da aula, a mãe de Pedro veio buscá-lo. O garoto, mais que depressa, foi apresentar a ela o cão. Dona Rosa simpatizou-se com o animalzinho. Levaram-no para casa.

– Que nome daremos ao seu poodle? – perguntou a nova proprietária do cão.

– Pimpolho. Ele se chama Pimpolho. Está escrito na coleira – respondeu Pedro Alfredo.

UMA CASA PARA PIMPOLHO

Pimpolho finalmente ganhou uma casa. Muito bonita por sinal. Era de tijolo e telhas de barro.  Pedro deu a ele algumas cobertas, e um banho gostoso de chuveiro. Há muito tempo Pimpolho não tomava banho de água quente. Pedro deixou para ele uma vasilha com água fresquinha e outra com ração.

“Meu Deus, que coisa mais sem gosto”. Pensou o menino-cão ao provar o alimento.

Passaram-se alguns dias. Pimpolho estava tentando se adaptar à vida canina. Estava gostando. Tinha de tudo, não lhe faltava nada. Está certo que as pulgas incomodavam, mas, tudo bem!

Para Pimpolho, porém, o grande problema em ser cachorro era o tédio. Não tinha nada para fazer. Quando morava na rua ele se acostumara a trabalhar muito. Em sua nova casa, porém, a única parte do dia em que se divertia era quando Pedro Alfredo vinha brincar com ele. Fora isso, quando o garoto estava na escola ou fazendo as lições, Pimpolho ficava sozinho.

Dona Rosa gostava do poodle, senhor Júlio, o pai de Pedro, também. Mas eles eram muito ocupados, quase nunca sobrava tempo para o cachorro.

O menino-cão começou a pensar em algumas maneiras de despistar o paradeiro. A princípio brincava de enterrar e desenterrar ossos no jardim. Dona Rosa ficou uma fera. Deu-lhe umas boas chineladas. Depois, Pimpolho se especializou em fazer acrobacias. Ficava assistindo à TV e aprendendo algumas coisas com os poodles dos circos. Ficou craque no assunto. Mas continuava se sentindo entediado, e pior, inútil.

Foi quando o menino-cão teve uma brilhante ideia. Daria uma forcinha para dona Rosa. Iria poupar-lhe o serviço. Ele via o tanto que a zelosa dona de casa trabalhava. O dia inteiro correndo para lá e para cá. Pimpolho resolveu ajudá-la.       Começou por varrer o terreiro. Logo de manhã, bem cedinho, antes mesmo de seus donos acordarem, Pimpolho ajuntava todas as folhas que caíam das árvores. Dona Rosa ficou espantada, não sabia o que estava acontecendo:

– Júlio, é incrível, mas de uns tempos para cá, sempre que levanto, o quintal está impecavelmente limpo. As folhas ajuntadas, a vasilha do cachorro brilhando. – comentou a esposa.

– Bem… Rosa, deve ser sua imaginação – respondeu o marido.

Mas não era. Realmente algo estava acontecendo. Dona Rosa teve certeza disso no dia em que deixou a cesta de roupas sujas na área de serviço. Ela iria lavar roupa à tarde, e, de manhã, pôs algumas peças de molho, enquanto ia ao supermercado. Pois foi aí que algo sobrenatural aconteceu! Quando voltou, não só todas as roupas estavam impecavelmente limpas, como estavam estendidas no varal, peça por peça.

Dona Rosa quase teve um infarto. Ficou com medo. Trancou-se no quarto e só saiu quando o marido chegou.

– Querida, aconteceu alguma coisa?

Dona Rosa correu para os braços do marido. Começou a chorar. Contou a história das roupas. Tinha medo de estar sendo seguida por alguém. Ou será que algum ET estaria escondido na casa?!

– Meu bem, não seja tola.  As duas únicas criaturas que ficam nessa casa pela manhã é você e o cachorro. Só se ele deu para lavar roupas agora! – brincou o marido.

Dona Rosa tranqüilizou-se. Pensou até que estava sofrendo algum tipo de amnésia.

– Devo ter lavado a roupa e esquecido – consolou-se.

Mas não era amnésia, pois os estranhos acontecimentos repetiram-se. A princípio Pedro Alfredo e senhor Júlio acharam que dona Rosa estivesse com algum problema. Mas quando perceberam que o carro amanhecia limpo e até a cama de Pedro ficava misteriosamente estendida, a família constatou o enigma. Seria um fantasma?

 

UM POODLE BOM PRA CACHORRO

Fantasma coisa nenhuma. Era o cão. Isso mesmo! Foi Pedro Alfredo quem descobriu. Pois um dia acordou bem cedinho e pegou o poodle, em cheio, com a mão na massa. Ou melhor, com a vassoura na pata, varrendo o quintal.

Pimpolho ficou assustado. Tinha medo de que a família descobrisse. Temia revelar que, na verdade, era um garoto disfarçado de cachorro. Temia ser expulso da casa.

Mas nada disso aconteceu. Muito ao contrário, assim que descobriram que Pimpolho era um cão trabalhador a família gostou ainda mais dele. Principalmente dona Rosa, pois ela tinha o maior prazer em dividir as tarefas com o canino. E até o ensinou a cozinhar e a servir a mesa à francesa.

Um dia, só para esnobar as amigas, ofereceu um chá das cinco. A mulherada ficou boquiaberta quando descobriu que fora o cachorro quem preparara as bolachas. E quando viram o poodle de avental, pondo a mesa no maior capricho? Ficaram morrendo de inveja! Fizeram propostas inacreditáveis para Pimpolho mudar de lar. Até coleira de ouro ofereceram para o peludo.

Mas Pimpolho era um cão fiel. Não trocava sua família por nada. Nem pelo tênis de marca que a beagle da vizinha usava. E o carinho da família de Pimpolho era tanto que fizeram até uma festa de aniversário para ele. Foi um momento especial, o menino-cão nunca se sentira tão feliz e amado. Era o centro das atenções! À noite, ao se deitar, ficou pensando.

“Realmente, aquele mendigo tinha razão. Eu não sabia que vida de cachorro era tão boa! Pois nunca mais quero voltar a dormir na rua”.

 

CACHORRO QUENTE

Certo dia, porém, Pimpolho amanheceu muito triste. Estava amuado, cansado, febril. Dona Rosa fez alguns chás para o poodle. Não resolveu. Deu para ele alguns remédios. Ficou esperando para ver se melhorava. Nada! Pedro Alfredo ficou assustado. Pediu a mãe que levasse o cão ao veterinário.

O doutor o examinou. Achou algo muito estranho. A temperatura estava alterada. Tudo estava alterado.

– Não sei o que esse cachorro tem, minha senhora, mas não há nada normal aqui. Comentou.

Pimpolho ficou assustado. Agitou-se. Tentou morder o veterinário. Não queria ser examinado. Teve medo de que descobrissem sua farsa. Teve vontade de sair correndo. Porém, estava muito fraco. O veterinário aplicou nele uma injeção. Pimpolho dormiu profundamente.

 

QUE CACHORRO QUE NADA!

Quando acordou, Pimpolho notou que ao seu redor estavam dona Rosa, senhor Júlio e Pedro Alfredo. Além do médico. Encaravam-no com ar aborrecido. O menino-cão tentou se levantar, não conseguiu. Sua cabeça girava, efeito da anestesia.

– Acabou a farsa Pimpolho, nós descobrimos tudo!

Pimpolho sentiu uma fisgada na boca do estômago. Abriu os olhos lentamente. Olhou suas pernas. Eram as pernas de um menino. Olhou seus braços. Eram os braços de um menino. Olhou para o lado. Viu, dependurada na cadeira, a pele mágica. Sentou-se. Abaixou a cabeça. Não sabia o que dizer.

– Diga garoto, que brincadeira de mau gosto é essa? Vestir-se de cachorro. Enganar a todos. Que tipo de moleque é você? – perguntou senhor Júlio.

Dona Rosa não dizia nada. Abriu a boca a chorar. Saiu do quarto resmungando.

– Mas ele é um garoto tão bonitinho!

Pedro Alfredo o encarava. Em seu olhar um misto de surpresa e raiva. Também não disse nada. Também saiu do quarto. Logo depois entrou um senhor com um uniforme branco. Era do conselho tutelar. Iria fazer algumas perguntas a Pimpolho. Queria saber de onde era, quem era sua família.

O menino respondeu que a única família que já tivera era a de dona Rosa. Senhor Júlio saiu da sala. O garoto foi levado a um orfanato.

 

O MELHOR AMIGO DO HOMEM

Passou-se algum tempo e a casa de Pedro Alfredo e dona Rosa não era mais a mesma. Sentiam falta do cachorrinho. Os vizinhos perguntavam. Queriam saber do poodle. Dona Rosa desconversava. Dizia que era esperto demais.

– Fugiu!

A verdade é que dona Rosa sentia uma saudade danada de Pimpolho. Ele era sua grande companhia. Não só porque era trabalhador e a ajudava nas tarefas. Aquele cachorro de olhar inteligente tinha um carinho especial. Naquela casa, ninguém gostava mais dela do que Pimpolho.

Pedro Alfredo também sentia falta de seu amigo. Sim, Pimpolho era um cachorro e tanto.

Até senhor Júlio, apesar de não dar o braço a torcer, estava sofrendo. Todos estavam. A casa andava uma desordem. Dona Rosa simplesmente não tinha ânimo nem para fazer o almoço.

E, se dona Rosa e companhia andavam numa tristeza sem fim, Pimpolho, no orfanato, estava era arrependido. Ao mesmo tempo em que sentia culpa por ter enganado sua família, sentia remorsos por ter ficado doente.

– Se eu não tivesse adoecido, nada disso teria acontecido!

Bem, a verdade é que esse clima de depressão geral durou algumas semanas. Até dona Rosa colocar o marido contra a parede e exigir dele irem fazer uma visita ao garoto.

O reencontro foi emocionante e constrangedor. Todo mundo pedindo desculpas. Mas, ao final, todos se perdoaram e decidiram que não precisavam de um cachorro. Queriam Pimpolho de volta.

Botaram os papéis para correr. A adoção estava a caminho. Arrumaram um quarto para o novo membro da família. Decoração especial. Pedro Alfredo andava radiante.

– Perdi um cachorro, mas ganhei um irmão – dizia e ria de felicidade.

Pimpolho também não se agüentava de entusiasmo. Finalmente teria uma cama de verdade. Finalmente comeria comida de verdade. Finalmente teria uma família. E, o melhor de tudo, finalmente iria para a escola.

Pois o garoto foi matriculado no ano seguinte.

– Imaginem, um menino tão inteligente não pode ficar desperdiçado. Há de ser um grande doutor – profetizava dona Rosa.

Bem, os anos se passaram e Pimpolho não virou exatamente um doutor. Ele era médico, só que de cachorro. Virou veterinário. E dos bons! Casou-se com uma linda moça. Teve dois filhos. E nos finais de semana ia passear na casa de mamãe Rosa. E, é claro, sempre a ajudava com as vasilhas.

Quando passava com seu lindo carro pela rua em que um dia havia sido seu lar, Pimpolho lembrava-se do mendigo que lhe dera a pele mágica. Sem ela, nunca teria tido a oportunidade de ser notado. Jamais teria uma família! Recordava-se do rosto do homem grandalhão, cheio de cicatrizes.

– “Será que foi um cachorro brigão?”

FIM.

 

E a pele mágica? Ninguém sabe. Desapareceu misteriosamente. Se você vir um cachorro de roupas, bota, laço no cabelo e corrente de ouro, fique atento. Talvez seja uma criança disfarçada.

 

Esta é uma historia infantil com moral. Uma reflexão sobre a situação de esquecimento que vivem muitas crianças, e como pequenas oportunidades podem mudar um destino.

E, aí, o que você acha sobre este tema? Gostaria muito de saber sua opinião.

Se gostou desta historinha infantil, por favor, compartilhe. Basta clicar nos ícones das redes sociais abaixo, ou à sua esquerda.


um grande abraço,

Cintia Amorim.

 


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8 Comments

  1. A historia foi tão boa que fez dormir minha filha e meu marido de uma só vez, mas mesmo com eles dormindo eu estava curiosa para saber o fim da historia. Já salvei o site nos favoritos, agora todos os dias voltarei para ler novos contos. Amei o site e as belas histórias.

    • Aêêêê!!! Que legal, fico feliz que tenha gostado. Volte mais vezes, sim… será sempre um prazer recebê-la. Um grande abraço.

  2. Que história legal! Muito bem escrita. Parabéns! Não pensa em fazer um livrinho ilustrado? Ficaria linda.

    • Oi Lisandra, na verdade tenho muitas histórias inéditas ainda, que pretendo transformar em livros. Aguardando somente as parcerias certas… Rsss… grande abraço.

  3. ah…acabei de ver que você tem outros livros! Vou ler:)

    • Sim, e tem muita coisa inédita ainda… mas tenho certeza de que gostará destes. Grande abraço.

  4. Minhas filhas adoraram, eu tb!!! Parabéns!

    • Que legal Elisângela, voltem sempre. Tem muitas outras histórias no blog. Abraços.

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